se eu tivesse coragem para te dizer tudo o que sinto, pessoalmente - eu diria. mas não tenho e também, aqui bem no fundo não tenho vontade de a ter, então escrevo-te o seguinte:
sabes? já amei muito antes de tu te teres cruzado na minha vida. já magoei mas também já fui muito magoada, aliás, quando te conheci estava eu a lamber feridas que jamais irão sarar embora não to quisesse mostrar, acho que nunca soubeste dessa parte. sabes de pequenos fragmentos, mas nunca irás saber toda a realidade pela qual passei, porque não foi contigo.
e eu admito, tudo isso me transformou numa pessoa assustadiça. é claro que te tentei mostrar no início, lá nos primórdios que sentia uma conexão estranhamente boa contigo, tu soubeste, eu sei que sim. e tu sentiste porque eu senti da mesma maneira.
só gostava de saber que raio se passou contigo e na tua cabeça para anulares tudo e fugires a sete pés. ninguém beija ou toca daquela forma sem sentir nada. ninguém olha nos olhos - e tu continuas a fazê-lo e finges não notar - daquela forma. eu sei que para ti sou transparente e que os meus olhos não te mentem, mesmo que já te tenha dito inúmeras vezes que não estava apaixonada... tu sabes que eu estava. estava e às vezes acho que ainda o estou.
lembraste daquela última noite? eu ainda sonho com ela. acordo sempre revoltada, fodida. eu não sei o que foi aquilo. o choro, os berros, cada um para o seu lado. não posso por a culpa toda no álcool. há algo de estranho nessa noite, mas foi aí que nos ditaste o fim. e eu com que remédio tinha eu, sem ser aceitar?
se pensas que não sei o que tens feito nos tempos em que mais nos afastamos, estás muito mas muito enganado. eu sei-te ler, conheço-te demasiado bem, somos iguais tu próprio o admites. então achas mesmo que eu não te saberia apanhar? nem preciso de muito querido.
não tem havido falta de tentativas da minha parte, tu sabes, mesmo que seja bastante subtil e brincalhona com tudo. mas sabes que mais? está na altura de eu te por para trás. acabou-se a brincadeira, o cão e gato, o toca e foge.
eu já não tenho idade para isto e tu muito menos. esperei este tempo todo que abrisses olhos, como é que só tu é que não vês a realidade?
mas já é tarde. um ano é muito tempo e não uses a velha frase de "cadelas apressadas tem os cães cegos", sabes bem que eu tenho sido tudo menos apressada. já o fui, mas decidi ir ao teu ritmo para nada, olha ao que isso me levou?
tenho de te dar o adeus meu (quase) amor, para poder (voltar a) ser minha, tal e qual como tenho lutado para vir a ser. para se acabarem as expectativas, todas as tentativas falhadas, isto acaba aqui e desta vez sou eu a o dizer.