a perfeição que outrora existiu, já não está presente. já não existe, limitou-se a desaparecer com o passar do tempo. e agora sinto-o como um punhal no meu coração, que cada vez vai furando mais, mais magoando mais, vai ferindo mais, vai fazendo sangrar mais. eu continuo a sentir-me ligada a ti, e por muito que tudo esteja perto do fim, eu irei ter-te sempre comigo, dentro de mim mesmo que a ferida no meu coração seja maior, ele continuará com o teu nome tatuado. mas quanto a isso eu não me preocupo. preocupo-me antes sim com o que nos aconteceu. preocupo-me com aqueles dias quentes de verão em que a nossa juventude cheia de inocência levava horas a completar-se, cada um à sua maneira. mas nem isso existe já. existe uma tamanha ausência, existe algo que nunca pensei que nos fosse acontecer: existe a responsabilidade de se ser sempre sério. tu sabes que nunca gostei de responsabilidades, a ponto de me tornar uma pessoa demasiado séria. nunca quis por mim, deixar de ser a criança que em tempos fui, mas deixei de ser. tomara se sempre assim sonhasse ser. mas tu com o passar do tempo também mudaste. retraíste-te e começaste a fechar-te numa concha, à qual não deixavas ninguém entrar. por influência disto, decidiste ir-te embora, e deixar-me aqui sozinha. mas quem sou eu para te culpar, se te deixei ir? quem sou eu para sequer te julgar, se nem te pedi enquanto ainda ia a tempo para ficares? a dor à medida que o tempo passava consumia-me aos poucos, mas depois deixou de doer. mas não digo que seja melhor quando deixa de doer. porque quando deixa de doer, é quando significa que a nossa alma já pouco passa de um minúsculo fio. é já apenas uma misera réstia do que era. se a minha está por um fio, pergunto-me então... como estará a tua? gostava de te poder dizer isto tudo cara a cara, mas "felizmente" continuo a mesma sem-jeito com as palavras sobre sentimentos frente-a-frente, coisa que tu sempre achaste piada não é? eu em tempos também me ria desta minha incapacidade de me conseguir expressar sem gaguejar, ou sem mudar de assunto. mas imagina o que seria chegar hoje, ao pé de ti e pedir-te para falarmos, e no fim não sair nada? achas tu, que conseguiria safar-me senão por aqui? por uma carta miserável, mas tão miserável que agora que começo a ler as entre-linhas nada disto faz sentido, e penso que nunca fará porque quanto mais te amo, mais possibilidades tenho de me vir a magoar, mas isso não me faz ter medo, faz-me sim ter curiosidade do que é perder-te de verdade. eu nunca te cheguei a perder mesmo pois não? porque tu continuas ao longo deste tempo aí a escrever-me, a sorrir-me quando vês, a beijar-me, a tocar-me, tu continuas consecutivamente a esperar por mim e eu por ti. mas pergunto-me a mim agora que sentido tem, eu ver um final quando eu nunca cheguei a passar do início? sim, porque cada novo dia é um novo início contigo. tentei com isto despedir-me de ti, mas a conclusão que cheguei, é que por mais que eu tente, tu serás sempre a minha casa e o meu ponto de chegada.
( por intermédio de um sonho que tive, saiu-me isto. )