quinta-feira, 15 de abril de 2010

«eu não suporto estes dias cinzentos que nos assombram. tal como te deve preocupar a ti, preocupa-me a mim; embora a minha preocupação seja diferente. a mim preocupa-me o que possa vir acontecer comigo... e com o meu coração. eu sei, é complicado admitir que a nossa (talvez) vida já teve melhores dias mas... acho que não posso fazer nada senão esperar que tudo mude.»
embora não te possa culpar de tudo o que se passou naquela época, culpo-te pela tua tão prolongada ausência quando mais precisei de ti. culpo-te hoje, por pensar demasiado no passado, e na vez em que me deixaste só. mas não te posso culpar de as memórias serem mais fortes que eu. porque tu não tens culpa. eu dizia-te "não te quero perder", e ainda nem te tinha de verdade. eu dizia-te "amo-te" e nem sabia o que significava isso, aliás eu nunca soube o que significava isso. porque se me por a pensar e vasculhar no meu passado bem enterrado, só teve sentido uma vez e, foi tudo coisa de miúda de 14 anos. mas não me posso queixar que não aproveitei. porque aproveitei, vivi e aprendi com os erros que cometi e cometeram comigo. mas contigo não sou capaz de pensar se já errei, ou se já erraste alguma vez. porque eu não quero ver erros, não tenho coragem para admitir que falho contigo, e nem quero ouvir-me dizer que falhaste comigo. eu tenho medo da dor, e quanto mais imune ficar a ela melhor anda a minha cabeça. não quero que isto seja apenas mais um desabafo corroído dentro da minha alma, quero que isto se solte cá para fora e não entre mais, até porque nós estamos bem. e não há motivos para isto ter sentido... pelo menos, hoje.