domingo, 12 de julho de 2009

um

normalmente escrevo sobre ti, e misturo um pouco sobre nós. assuntos normais, visões muito claras acerca daquilo que juntos já construímos. o tempo passa demasiado depressa quando algo de bom nos ilumina a nossa vida, e o nosso chamado caminho. tudo te parece ser inconstante, enquanto ao mesmo tempo tu vês tudo duma maneira bastante surreal e nunca sabes ao certo se tudo o que estás a viver é verídico. às vezes pergunto-me se estou a sonhar. contigo é tudo tão perfeito – no verdadeiro sentido da palavra, sem dúvidas – que me leva a abanar a cabeça demasiadas vezes numa tentativa ilusória de me tentar acordar a mim mesma. mas isto não é um sonho. é uma realidade, à qual ainda me estou a habituar e a trabalhar severamente nela. tenho certezas de que tudo na nossa vida não acontece só por acaso. temos o nosso íman à espera de que um outro íman se cole a ele e façam uma fusão com todo o gás.
quando te vi pela primeira vez não notei que eras tu quem possuía o íman compatível com o meu. passaste sempre desapercebido e sem querer a coisa, tudo se resumia a um bom dia, a um olá. a curiosidade sobre tua pessoa envolvia-se em mim, e eu ignorava-a, mas não que eu não quisesse matá-la, pois apenas não me sentia apta para tal. até que tu vieste até mim. e daí fizemos nascer uma bonita e forte amizade em conjunto, estranha até por possuir tamanha empatia logo na primeira conversa. passaram-se uns meses, e já sabia que podia contar contigo para o que desse e viesse, sem pedires nada em troca, já eras um dos meus melhores amigos. confiança, essa foi crescendo de dia para dia, juntos aprendíamos sempre algo novo, e juntos descobríamos semelhanças que nos levavam a brincar um com o outro. algo ingénuo, forte começou a deixar ser visto, mais que uma forte amizade, havia química. havia algo mais, sempre houve.
lembro-me do primeiro beijo como se fosse hoje. único, suave, nervoso, pequeno. cheio de carinho, medo, cheio de sentimentos a quererem ser transmitidos. um novo amanhã nasceu para nós, umas pequenas certezas trouxeram outras, algumas dúvidas surgiram. actos, toques, palavras. já nada era ‘sem querer’, era oportuno e desejado.
até que houve uma paragem. uma mentira. uma acção por tua parte que foi por bem, mas na altura conscientemente foi para mim, por mal. magoaste-me. feriste-me. e eu nunca soube ao certo como haveria de lidar com isso. tentei apagar tudo o que havia de bom, tentei não falar-te. tentei nem lembrar-me do teu nome. tentei, mas foi em vão. quanto mais te queria fora do meu coração, mais tu entravas, mais te enterravas cá dentro.
houve o chamado ‘tempo de lucidez’, à qual me ‘rebaixei’ à tua mentira. voltei a dar-me contigo como se nada fosse. como se nada tivesse passado, como se nunca tivesse havido nada. percebeste talvez ‘ela já não gosta de mim’, mas ao mesmo tempo o meu objectivo era pagar-te na mesma moeda. metias-te comigo, e eu dava-te para trás. brincavas e eu não sorria. não havia nada mais difícil que fingir sentir uma coisa quando se sente outra. coisa que tu mesmo te apercebeste. então o que se faz, quando se vê que se errou? quando se vê que se ‘perdeu’, mas se sabe que se quer manter pouco do que resta? luta-se.
então posso dizer que nada me deixou mais orgulhosa de ti até hoje, como tudo isto que já enfrentamos. o medo de um novo mundo, o medo de se entregar. o medo constante que ambos vivíamos. então passamos à frente e tentamos juntos ser um só.
conseguimos aos poucos construir algo perfeito, algo único. momentos contigo jamais esquecidos, à qual relembro todos os dias. vou buscar motivação para tudo em cada frase dita por ti. gosto de gostar de ti, e gosto daquilo que somos um para o outro. sem chatices, sem ‘compromissos’. sem dor, sem receio.
gosto de viver contigo, e viver-te. gosto de sentir contigo, e sentir-te. gosto de pensar contigo, e pensar-te. gosto de saber o que é o amor, e amar-te. assim como tu me amas a mim.
e a brincar a brincar, já se passou um mês desde o primeiro dia.
o tempo passa mas não apaga, não destrói. só aumenta. amo-te não hoje, não amanhã. mas sempre, todos os dias da minha vida.