a complexidade de ser eu. o medo de o deixar de o ser. o abraço que me dou sempre que me assusto quando conheço alguém.
eu não me imaginaria assim, há uns 10 anos atrás. aos meus 18, na minha cabeça com esta idade já eu teria o primeiro filho, um emprego estável, uma pessoa que seria imortalizada ao meu lado. nessa altura faria todo o sentido que o meu hoje assim o fosse; mas não o é.
não o é e eu amo isso.
amo a facilidade com que ordeno a minha vida, a liberdade que me dou e tenho a ser quem sou e a fazer o que bem entendo, o não esperar mais nada de ninguém; porque sei que não tenho também nada a dar.
o que eu não amo é isto ser assim.
o medo de me voltar a apaixonar, encontrar alguém decente e mesmo assim não ser suficiente para apagar o meu eu presente que hoje vive.
e se o que todos os outros anseiam e desejam, não for realmente para mim?
e, se de facto eu ser realmente aquela pessoa que irá ser extremamente feliz sozinha, como o sou hoje? mesmo com os meus traumas, porra, eu posso prometer que sou realmente feliz, então porque raio me assusta tanto?
não me assusta eu um dia assentar, já o disse. assusta-me é eu mesmo com alguém "perfeito", não ver a perfeição disso e preferir o meu velho e habitual vazio.